O Pérolas da Ciência vai mudar um pouco. Se na primeira versão, dedicada aos anos de ser professor, a ênfase era no disparate dos alunos e na partilha de algumas das verdadeiras pérolas que me apareceram como respostas nos testes, esta versão será virada para os "outros" que mencionava na apresentação do blogue: "Mas para que outros não ficassem a rir, também eles possuem aqui um cantinho especial..." Nota da redacção: Aqui não se aplica o (des)acordo ortográfico, escrevemos em Português!
O porquê deste delírio...
Quando decidi criar este blog, era dedicado à temática da asneira parva e sem sentido, resultante de uma ignorância cultivada com requinte por muitos dos alunos que me foram passando pelas "mãos".
Contudo, ao olhar em redor, outros vi que mereciam também a "honra" de nele figurar, tal a vontade e desempenho que colocam nas suas "actuações". Para todos os que me "fornecem" o material, um cantinho especial espera-os.
Para os outros, espero que se divirtam.
sábado, 29 de fevereiro de 2020
E se as aves forem estúpidas?
Li atentamente o que tem sido publicado nos media. E fiquei preocupado, mas simultaneamente contente, depois irritado e finalmente aliviado. E sobretudo senti-me ignorante!
Antes de continuar, permitam que me apresente, para que depois se perceba como um vulgar mortal como eu sentiu um misto de tantas emoções antagónicas, seguramente o resultado de alguma miscelânea que ingeri fora de casa: sou licenciado em Biologia, professor dessas matérias e com alguns canudos, entre os quais um diz que tenho uma especialidade em Biologia da Conservação.
Portanto, como se vê, muito diferente das superiores qualificações dos governantes com capacidade para decidir nestas matérias, mas com uma coisa em comum: também estou na política, pois sou deputado independente na Assembleia Municipal de Lisboa, onde aguardo que os meus pares aprovem a realização de um debate sobre o dito aeroporto complementar do Montijo, que propus ainda a Arquitecta Helena Roseta presidia ao plenário.
Feitas as apresentações, passo a explicar porque me deixei avassalar pelos sentimentos que referi há 16 linhas atrás. Durante os seis anos que passei na faculdade e depois das horas que acumulei a ler trabalhos, artigos revistos por pares e a ouvir sumidades nas áreas da Biologia e não só (porque como os Biólogos trabalham toda a Vida, precisamos de disciplinas até “dizer chega”), ninguém me explicou que podia enveredar por caminhos dos quais pouco entendo. Foi preciso vir para a política para ouvir que sim, que podia e devia, com a desculpa de que mais vale dizer asneiras que estar calado.
A quem me dava esses conselhos, sempre disse que gostava de olhar para o espelho e ver um tipo a sorrir para mim todas as manhãs, o que não aconteceria seguramente se os seguisse.
E aqui entra o primeiro par antagónico de sentimentos: fiquei preocupado ao ler que os pássaros não são estúpidos, mas também fiquei contente por ter mais um exemplo prático de como não fazer política, o que vai ajudar-me a guiar o meu comportamento na Assembleia Municipal.
Senhor Secretário de Estado, permita humildemente que lhe aconselhe a mudar de assessores para a área do ambiente, pois não lhe terem explicado o que é um pássaro fez com que dissesse uma “inverdade” que, infelizmente neste país e para este país, se repetida muitas vezes passa a ser “verdade”. E os portugueses merecem mais do que acreditar que os bichos vão desviar-se sempre que um avião descola. É mais ou menos como repetirmos até à exaustão que ganhámos o Euromilhões sem tal ter acontecido.
E é então que me vem a irritação: como é que os cidadãos deste país ouvem e leem coisas destas e ficam calados? Como é que se ignoram especialistas que já demonstraram cabalmente ser a opção Montijo uma enorme asneira? Como é que alguém se pode achar no direito de decidir contra as opiniões de especialistas com provas dadas a nível internacional, colocando em risco vidas humanas? Mas logo me sinto aliviado: é que os “pássaros”, porque não são estúpidos (um dia poderemos falar sobre isso), vão acabar por adaptar-se! Afinal é simples, e andamos nós, os que queimámos e queimamos as pestanas a estudar estas coisas da dinâmica dos ecossistemas, preocupados. Como é que não nos lembrámos disto? É tão óbvio que até cega!
E senti-me estúpido porque sempre me ensinaram que as aves incluem em si 24 Ordens, sendo a dos passeriformes uma delas, englobando avezinhas de pequeno porte, a que nos habituámos a chamar pássaros. Imaginem o meu espanto quando percebi que me andaram a mentir! Sim, porque se um governante o diz, é porque está certo! Nunca ouviram nas conversas no metro a referência a “eles é que sabem”? Eu já ouvi e, infelizmente, o pessoal rege-se pelas máximas superiores de quem foi eleito. Há muitos anos, Orwell e Huxley escreveram sobre isto, lembram-se?
Mudando de agulhas, sabem seguramente os senhores governantes que o estuário do Tejo tem várias classificações internacionais que o colocam muito para lá da tutela exclusiva do nosso país. Nele pernoitam, abrigam-se, alimentam-se e reproduzem-se 194 espécies de aves, que na altura das migrações chegam a um total de efectivos superior a 140 mil! É muita ave e algumas bem grandinhas, como os flamingos, por exemplo. E mesmo que todas fossem pássaros, um bando tem “bué” deles.
Acontece que muitas das aves migram, fazendo-o para outros estuários e locais na Europa, pelo que uma perturbação no Tejo pode colocar em causa a estabilidade nesses lugares! Anda por aí, aliás, uma petição internacional com origem na Holanda contra a decisão incrível de adaptar a base do Montijo a aeroporto internacional.
A acrescentar a isto tudo há quem ache, e também anda na política, que esta decisão é uma forma de garantir que a ANA e os seus proprietários consigam lucrar o que necessitam nos 50 anos em que têm a concessão dos aeroportos nacionais, sem terem que investir num novo aeroporto para Lisboa, caduco e poluente e que viu uma cidade crescer à sua volta.
E para dourar a pílula, fala-se agora em alterar a lei para que tudo fique perfeito e na mesma linha do estudo de impacto ambiental, se é que se pode chamar EIA ao que foi produzido, aguardando-se ainda o estudo sobre segurança aeronáutica, atrasado, quem sabe se por ainda decorrer a auscultação das aves, numa tentativa de acordo para a deslocalização dos seus corredores de voo, eventualmente oferecendo-lhes Beja em detrimento do Tejo, bem mais quente e por isso menos propício a coronas-vírus.
Admitindo que a insensibilidade a questões ambientais é um direito, que o que pensam os contribuintes eleitores nada vale e que a posição dos municípios da zona é para contornar com nova lei feita à medida, será que o risco acrescido para os voos comerciais que utilizassem o Montijo não será suficiente para repensar a coisa?
Se um flamingo ou um colhereiro for sugado pelo reactor de um avião, mesmo que aos comandos esteja um Sullenberger, a probabilidade de andarmos a retirar destroços e vítimas do Tejo é demasiado real!
Admira-me por isso que os decisores deste país estejam dispostos a enfrentar as famílias das vítimas, provavelmente desculpando-se que afinal as aves eram estúpidas.
É que, como dizia um destes dias Bruno Dias, basta UMA ser estúpida!
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Para quem só agora toma contacto com o blog, sugiro uma voltinha para conhecerem o que era (e para se divertirem um pouco), porque o estilo mudou, embora mantendo o título.
Porque estou na política, será aqui que vou contar o meu percurso, começando pela actividade mais recente, já a seguir.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
A importância dos mortos do ecossistema
"os componentes abióticos, ou seja os seres mortos no ecossistema, são bastante importantes para o mesmo, na medida em que não permitem que o mesmo aumente a sua diversidade de espécies em número, o que provocaria um desequilibrio no mesmo. Logo, a sua importância tem que ver com o controlo do ecossistema".
Acreditem que não foi uma pedra que escreveu isto!
O regresso dos espermatozóides!
A afirmação rezava "Se não fosse a cauda dos espermatozóides, a sobrevivência das espécies estava em risco".
Pedia-se um comentário, que veio desta forma...(sic)
Resposta: Não, porque o espermatozóide quando fecunda a mulher é que deve ter cuidado com a espécie. O homem quando manda para dentro e se houver fecundação o homem e a mulher devem ter cuidado quando forem fazer relações sexuais!
É um artista português, como dizia a publicidade...
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Pronto, está explicado: foi cansaço!
"uns espermatozóides vão ajudando outros para chegarem ao útero" !!
Foi cansaço, digo eu, só pode!
Duvida existêncial...
" Setor so uma duvida: o ânus faz parte do sistema reprodutor no homem ou na mulher? "
Pais, podem chorar que eu autorizo!
Traduções...
Às vezes, sai bem, outras, nem por isso. Vejam esta tradução...
No Resumo:
...a sida é uma doença sexualmente transmissivel, tem sintomas semelhantes aos de uma gripe, não exite uma cura eficaz o que pode levar a morte.
No abstract...
...the been one is a sexually transmissible illness, has similar symptoms to the ones of an grippe, not exite one efficient cure what it can take the death.
Podem sorrir, vá!
sábado, 19 de julho de 2014
A culpa é nossa...
sábado, 15 de fevereiro de 2014
As vagens da alface...
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Húmida e molhada!
Limitrófes
Mas fiquei a saber que o Mocho-galego tem "duzentas gramas!
Para além das incorrecções (poucas) científicas (uma coruja em simbiose com uma oliveira, por exemplo), que se escrevam textos com erros já é inadmissível, mas parece-me (ou melhor, sei) que um locutor pode e deve chamar a atenção para evidências grosseiras como as que apontei acima. Em especial, quando se chama Diogo Infante. A não ser que haja outro...
sábado, 10 de agosto de 2013
Mais uma brasileirice...
sábado, 16 de março de 2013
Tradutores de meia-tijela
Felizmente que sigo os diálogos pela voz e não pelo texto: apanhamos o que só faz sentido se "pensarmos" em inglês e não vemos (todas) as alarvidade que uns quantos analfabetos arvorados em tradutores, escrevem. Está aqui uma amostra.
Não estamos entregues apenas à "troika", é bem pior! Esses hão-de ir embora. Os que já não sabem escrever, ficam e nós deixamos.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Mas estes tipos não aprenderam português?
Senhor jornalista, locutor, apresentador, o que quiserem: RELATADA! Diz-se relatada e não reportada. Eu explico de um modo simples: se disser que o GNR se tinha reportado a acontecimentos de há anos, por exemplo, estava a utilizar o termo correctamente. Se alguém faz um relatório (verbal, ou escrito), RELATA, não reporta.
"Report" significa relatório, não reportório, "tá bem"???????
E depois eu é que tenho cortes no vencimento!
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
A mediocridade a tomar conta do país
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
A propósito de escrever em português
É o que estamos a fazer actualmente, TODOS, e não só quem nos (des)governa, porque eles não nasceram lá, nem surgiram por geração espontânea.
Isto a propósito da idiotice que é o AO90, que todos (ou quase) criticam, incluindo os professores, mas que aplicam cegamente, alegando que foi o MEC que mandou.... e se mandou, está mandado!
Por isso não me admiro que consigam levar a cabo a destruição deste país, porque "são eles que mandam". Porra, irrita-me esta maneira de pensar imbuída do espírito do Estado Novo, castrante da cidadania que todos reclamam mas que poucos fazem por merecer.
Hoje, criticaram-me por não aplicar o AO90, porque como professor devo obediência (cega e estúpida, acrescento eu) às instruções do MEC. E que se não o fizer, arrisco-me.
Quem o disse não concorda com o AO90. Mas aplica-o. Por MEDO.
As pessoas perderam (ou nunca tiveram) a sua cidadania, e quem está no poleiro sabe-o. E usa isso em seu proveito.
Pobre país que se auto destrói por medo e comodismo.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Alforrecas, os monstros a abater!
Vila Nova de Milfontes - Sete pessoas atingidas por alforrecas
Sete pessoas foram tingidas por alforrecas, mais conhecidas por caravelas
portuguesas, na praia do Malhão, em Vila Nova de Milfontes.
Estes organismos não costumam andar por águas portuguesas, mas naquela
praia sete banhistas entraram em contacto com estas alforrecas e tiveram
de ser encaminhados para o hospital, explicou o comandante Arrifana Hor-
ta, da capitania de Sines.
Mais a norte, na zona da Costa de Caparica, foi também, ontem, avistada
uma alforreca.
Mas desde quando uma alforreca é "mais conhecida" por Caravela-portuguesa? E esta de na Costa da Caparica ter sido avistada uma alforreca, como se isso fosse um evento raro...
Senhora ou senhor jornalista, antes de escrever asneira (mesmo que veiculada a partir de outra fonte, não citada) devia ter feito o TPC. Teria aprendido que a Caravela-portuguesa (escrita assim e não como escreveu no seu texto) é uma alforreca entre cerca de 3000 espécies conhecidas, de facto potencialmente irritante para o homem, que tem o hábito de chocar com estes incríveis seres.
Mas aprendia também que avistar-se uma alforreca, seja em que praia for, não é acontecimento raro nem de estranhar. Hoje, por exemplo, estive na Costa da Caparica (assim mesmo, DA Caparica e não DE, como escreveu) a ver alar as redes de Xávega e no saco vinham, como habitualmente, várias dezenas destes Cnidaria.
E depois, se tivesse feito o TPC, talvez tivesse ajudado as pessoas a entender o ciclo de vida destes animais, que são abundantes nesta altura do ano. As alforrecas. Que não as Caravela-portuguesa... que por acaso, só por acaso, não "tingem" ninguém!
Memórias erradas...
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Isto é perseguição...
Agora foi na cerimónia de entrega dos prémios aos melhores classificados das Olimpíadas da Biologia, no Pavilhão do Conhecimento. E "os alunos estarem melhor preparados..." coube, desta feita, à Secretária de Estado da ...Educação!





